13 de nov. de 2014

Comprar na China é fácil, difícil é receber a encomenda

A China foi mordida pela praga do comércio eletrônico, mas o país enfrenta problemas na entrega, principalmente por causa de décadas de falta de investimento na infraestrutura logística do interior e regulamentação ineficiente




HANGZHOU – Era o maior dia de compras do ano na China, e os descontos estavam tentadores. Mas Jiang Shan esperou para comprar um pouco daquilo que ela realmente desejava.
Na terça feira, 11 de novembro, dezenas de milhões de chineses como Jiang compraram mais de US$ 9 bilhões em produtos na internet durante o Dia do Solteiro, que funciona na prática como um feriado de compras para o comércio eletrônico e maior evento mundial de compras na internet. Mas a compra foi apenas parte da história. Temos também a etapa da entrega.

Jiang, dona de uma padaria na cidade chinesa de Urumqi, no oeste do país, gastou 2 mil yuans (US$ 325) num filtro de água e em utensílios de cozinha , e disse que teria gasto ainda mais se acreditasse que os produtos encomendados chegariam a ela rapidamente e sem estragos.
“Não costumo comprar muito no Dia do Solteiro porque a logística da operação me preocupa”, disse ela. “Se todas as encomendas que fiz este ano chegarem em 10 a 15 dias, ficarei feliz.”
A China foi mordida pela praga do comércio eletrônico. Um setor varejista subdesenvolvido e uma florescente rede de mercadores online anunciando ofertas a preços baixos levaram os chineses a procurar a internet antes de mais nada na hora das compras, seja de sapatos, fornos, papel higiênico ou escovas de dente.
O mercado chinês do comércio eletrônico já é maior do que o americano e, até 2020, deve alcançar as dimensões da soma dos mercados americano, britânico, alemão, japonês e francês, de acordo com relatório da KPMG.

Mas o país enfrenta problemas na entrega, principalmente por causa de décadas de falta de investimento na infraestrutura logística do interior e regulamentação ineficiente. Os artigos demorar para chegar ao interior do país, e os danos são um problema persistente – afetando os consumidores e as pequenas empresas.
“Imagine ter 30 times da NBA e apenas um punhado de ginásios do ensino médio para realizar as partidas – era esse o estado da infraestrutura chinesa quando o comércio eletrônico decolou”, disse Shen Haoyu, diretor executivo do site de vendas ao consumidor da gigante chinesa do comércio eletrônico JD.com.
As entregas na China são tão ineficientes que o país gastou 18% do seu PIB em logística em 2013, 6,5% acima da média global e 9,5% acima do gasto habitualmente observado em países desenvolvidos como os Estados Unidos, disse Fox Chu, diretor de infraestrutura e transporte para a região da Ásia Pacífico na consultoria Accenture.
“O envio de artigos de Fujian a Pequim pode ser mais caro do que enviar algo de Pequim até a Califórnia”, disse ele, referindo-se à viagem de aproximadamente 2 mil km da província do sul da China até a capital do país.


Recentemente, tanto a principal empresa de comércio eletrônico da China, Alibaba, quanto sua rival menor, JD.com, tentaram tornar as coisas mais eficientes, especialmente no interior.
A Alibaba prometeu investir 100 bilhões de yuans (US$ 16,3 bilhões) numa iniciativa para ligar empresas de terceiros que entregam seus pedidos. A ideia é formar uma aliança que use os dados dos clientes e dos pedidos do Alibaba para antecipar os pedidos e tornar as entregas mais eficientes.
A JD.com, por outro lado, está construindo seus próprios armazéns e transportando seus próprios artigos. A empresa consegue fazer entregas no dia do pedido em 100 cidades, e entrega no dia seguinte ao pedido em outras 600, disse Shen, executivo da JD.com.
Como ocorre com a maioria das coisas na China, o estado da logística pode ser subdividido de acordo com a geografia e a riqueza. Nas cidades maiores e mais ricas da costa leste do país, praticamente tudo pode ser entregue até o dia seguinte.
Zhang Rui, vendedor de tecnologia da informação que mora em Pequim, não compra mais os artigos de uso diário nas lojas.
“Compro praticamente tudo que preciso na internet, desde verduras e legumes a papel higiênico, arroz, óleo de cozinha, sal, escovas de dente e xampu”, disse ele.


Disponivel no site estdão: http://economia.estadao.com.br/blogs/radar-economico/comprar-na-china-e-facil-dificil-e-receber-a-encomenda/

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