Então veio ter comigo o demonio. Na primeira vez que o vi fiquei assutado, mas não foi por que intentava contra a minha vida. Na verdade muito ja sabia dela. Estava feliz por saber que Ele se importava comigo. Deitei e regozijei. Num intento de conhecer as facetas da tenra morte e finalmente esclarecer as escusas do inferno. Sera ele tão quente como dizem ? Ou seria ele gélido ? Não obstante, ocorreu-me as devassas da terra e seus hipócritas habitantes. Lembrei dos contratos corrompidos, das liberdades falidas e dos amores perdidos. Ao contrário do que me prometeram : Não houve segunda oportunidade.
- Perdeu idiota - Me chamou a besta.
Ansiei para ver seu rosto. Sob o boné (não era capuz), olhos castanhos e sardas no rosto.
Nem tão diferente, mas nem se quer era comum aos medianos da terra.
Meu ceifador escondia a morte sob pretexto das vestimentas dos terrestres.
- A carteira Otário!!!! - Puts.
Como otário? Acaso eu honesto por vocação e íntegro por convicção não era suficientemente bom pra pelo menos ser insultado como desgraçado (isso eu era) ?
Resolvi não ceder. E ele, não desistir.
- Me passa a porra logo babaca ou acorda nos braços do capeta!!!!
Hmmm, pensei e respondi :
- Não cedo nada pra covardes e vagabundos.
Eis então que conheci a vida de um eterno segundo.
No palco da jornada de 22 anos, sempre vocacionei os anjos e falaciei os ateus.
Repudiei a razão e celebrei a felicidade. Naquele momento percebi que percorri a linha da loucura com pseudomino de fé, pisei verdades com verdade e maquiei a razão com indiferença. Mas negão se era pra ser diferente seria eu peão dos profetas ou elemento das divindades?
Caçou-me na penumbra o toque de um anjo. Segurou-me a mão e colocou-me em berço. Ao abrir os olhos desejei a morte, ja que apostolei contra Deus imaginava sua ira. Vi só o estetoscópio e celebrei a loucura como parte essencial de uma vida.
Mais tarde senti o calor no rosto, mas era o sol e depois o frio e era só o vento e depois vi as ataduras e era só os olhos.
Zylder
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